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Hora de trocar o óleo PDF Imprimir E-mail
Todo dono de carro com um pingo de atenção sabe da importância do óleo lubrificante. Ele é o sangue do motor, a única proteção da máquina automotiva contra a morte súbita por superaquecimento e da velhice precoce do atrito.

Mas nem todo o motorista sabe como decidir qual é o melhor óleo para seu veículo, capaz de reduzir a fricção entre as peças móveis do motor, diminuir o consumo de combustível, a emissão de gases poluentes e zelar pela limpeza do propulsor.

Os antigos óleos lubrificantes, feitos há 20 anos, duravam entre 2.000 e 3.000 km. Os atuais podem ser substituídos com até 10 mil km. Isso se deve à melhoria das características antioxidantes, que retardam seu envelhecimento.

"Hoje, os óleos lubrificantes já vêm com aditivos, que evitam problemas maiores quanto ao depósito de sujeiras no motor", afirma o coordenador de relações com o fabricante da Esso, Celso Cavalini.

No mercado, são oferecidos três tipos de óleos automotivos: o mineral, o semi- sintético e o sintético. A principal diferença está na forma como são produzidos. O óleo mineral é um subproduto do processo de refinamento do óleo cru, mais adequado para veículos antigos.

Já os sintéticos são produzidos em laboratório a partir de aditivos e de fluidos de alto desempenho. São mais caros, mas duram mais. E os semi-sintéticos usam uma mistura das bases sintética e da mineral.

"O óleo sintético é mais resistente à oxidação e à evaporação e mantém a viscosidade por mais tempo", acrescenta o diretor de comissões técnicas da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil), o engenheiro Luso Ventura.

Seja qual for usado, há uma regra básica: jamais misturar óleos diferentes.


Recomendação do fabricante

Os fabricantes de lubrificantes estabelecem duas condições de uso dos veículos. Paradoxalmente, as condições severas são as cotidianas: Ir de casa para o trabalho sem aquecer o motor, enfrentar engarrafamentos ou estradas de terra, além do uso constante de reboques ou de carreta.

Para estes casos, recomendase reduzir o intervalo das trocas de óleo, tanto em quilometragem quanto em tempo, que nunca pode ser superior a um ano.

Já as condições consideradas normais são as mais raras para o motorista comum: dirigir regularmente em estradas, sem grandes alterações na velocidade no giro do motor e nas condições de arrefecimento do mesmo.

"Em todos os manuais existem informações sobre o lubrificante adequado para o motor, que devem ser seguidas pelo proprietário", recomenda o gerente executivo da Associação de Engenharia Automotiva (AEA), Hindemburg Campos.

Após verificar no manual a especificação correta do óleo, é preciso decifrar o que significam os números e letras que se encontram nas caixas dos óleos e não usar o lubrificante errado. Esse engano pode causar a formação de depósitos de sedimentos no motor e o entupimento dos canais de circulação.

"O óleo tem de atender às recomendações de viscosidade e de nível de desempenho do fabricante", aconselha a gerente da Castrol do Brasil, Cláudia Cavadas.

Duplo caráter

A viscosidade do lubrificante é classificada pela Society of Automobile Engineers ou Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade (SAE). Há 11 graus de viscosidade, do SAE 0W ao 60.

O W que se segue ao grau de viscosidade SAE significa inverno - winter, em inglês e indica que o óleo foi concebido para ser utilizado em temperaturas mais baixas. Hoje, a grande maioria dos óleos são multiviscosos.

Assim, um óleo 5W30, por exemplo, tem viscosidade nível cinco com o motor frio, quando está bem ralo, o que permite sua boa difusão. Com a máquina aquecida, o óleo chega ao nível 30, quando se torna espesso o suficiente para manter a lubrificação em altas temperaturas.

Já a classificação do American Petroleum Institute ou Instituto Americano de Petróleo determina o desempenho do lubrificante. Há duas categorias básicas, a S, de "service station" (ou posto de serviço) para motores a gasolina, álcool ou GNV, e a C, de compression (ou compressão) para motores a diesel.

Essas letras são acompanhadas por uma segunda letra, que indica em ordem alfabética o grau de desempenho. A maior nomenclatura atualmente é a SM e a anterior, a SL. "Utilizar um lubrificante inferior com a classificação API pode ocasionar problemas ao veículo", ensina a analista de marketing da Shell Lubrificantes, Fabiana Rodrigues.

por Marcus Lauria de Brito, CeltaClube

 
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